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Prof. Dr. William (Bill) Woods* Universidade de Kansas

Ph.D. pela Universidade de Milwauke desde 1986 e desenvolvedor de projetos no Baixo Amazonas e na Amazônia Oriental em colaboração com pesquisadore brasileiros, o professor Woods concedeu entrevista ao portal SABNET.
Como você vê o trabalho dos geógrafos em relação à arqueologia?
Na minha cabeça, geógrafos e arqueólogos estão interessados, a maior parte do tempo, nas mesmas coisas: as relações entre seres humanos e meio ambiente através do espaço e do tempo. Apesar das metodologias e treinamentos variarem, ambas as disciplinas devem ser sistemas de treinamento de campo que integram interpretações culturais e físicas com um foco nos seres humanos. Eu ministro cursos no Programa de Estudos Ambientais, no Departamento de Geografia e no Departamento de Antropologia aqui na Universidade de Kansas e vejo muita sobreposição de interesses de pesquisa entre essas três entidades. Acho mesmo que as sinergias desenvolvidas através do intercâmbio entre arqueólogos, geógrafos e outros cientistas ambientais são poderosas e muito significantes.
Quando e por quê você se interessou em arqueologia amazônica?
Me interessei pela arqueologia amazônica pela primeira vez em 1974, quando era estudante de pós-graduação e estava viajando pelo Brasil depois de fazer um trabalho de campo em Missiones, na Argentina, enquanto me dirigia a outro campo nas terras altas colombianas. Eu parei em Manaus e fiquei fascinado pelos solos que vi lá. Foi logo depois de Betty Meggers ter publicado “Amazônia, a ilusão de um paraíso” e eu estava intrigado pelas possibilidades de enriquecimento do solo pelas habitações humanas que a terra preta proporcionava. Eu também tinha conhecido Donald Lathrap e achei suas idéias muito instigantes. Eu continuei a trabalhar com solos depois disso no México, em Belize, na Itália, e nos Estados Unidos. Eu não tive oportunidade de voltar à Amazônia até o começo dos anos 1990, apesar de ter tentado sempre me atualizar com relação à literatura sobre arqueologia e geografia da Amazônia. Eu gostei particularmente do artigo sobre terra preta publicado por Nigel Smith em 1980, que provavelmente foi a primeira pessoa a citá-la. Em 1993, eu estava visitando a Universidade de Wisconsin e Bill Denevan me chamou para discutir solos com um grupo de professores e estudantes os quais ele estava encorajando a trabalhar conjuntamente sobre temas amazônicos relacionados à terra preta e populações pré-européias. Depois daquele encontro eu me uni ao grupo e no próximo ano comecei meus encontros com pesquisadores brasileiros e a conduzir pesquisas no baixo Amazonas.
Qual tem sido a importância de sua experiência de trabalho com arqueólogos brasileiros?
Não posso imaginar um trabalho de campo na Amazônia sem uma cooperação próxima e coordenação com arqueólogos brasileiros. Eles estão tecnicamente, operacionalmente, empiricamente e teoricamente entre os melhores do mundo e têm estabelecido as bases culturais para a interpretação do passado amazônico. E, pessoalmente, nunca tinha interagido com um grupo de pessoas que seja mais agradável, afetuoso e que são também trabalhadores dedicados, intelectualmente desafiadores e que ao mesmo tempo sabem como se divertir. Cada experiência tem sido a melhor possível em vários níveis.
Qual você pensa será o futuro da arqueologia amazônica dentro do contexto das Américas?
Depois de manter-se em um marasmo por décadas, nos últimos 15 anos a arqueologia amazônica decolou e, com a chegada de novas gerações de novos investigadores, eu vejo que haverá um desenvolvimento contínuo e descobertas importantes em todas as escalas de investigação. Os grupos com os quais eu tenho me associado são verdadeiramente interdisciplinares e cooperativos e, portanto, cada indivíduo proporciona bases para objetivos comuns. Assim sendo, cada projeto individual é parte do desenvolvimento de um entendimento da totalidade dos objetivos regionais e conseqüentemente proporciona informação que de outra maneira somente seria considerada isoladamente. A partir de tal base, só se pode ser positivo sobre os prognósticos para a arqueologia amazônica.
* Bill Woods obteve seu Ph.D. na Universidade de Milwaukee em 1986, é atualmente é professor do Departamento de Geografia da Universidade de Kansas (Lawrence, KU), e Diretor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Ambientais. Tem desenvolvido projetos no baixo Amazonas e na Amazônia Central em colaboração com pesquisadores brasileiros, entre os quais o Prof. Eduardo Neves, do MAE-USP.
Publicações selecionadas dos últimos cinco anos:
Glaser, Bruno, and William I. Woods, editors. 2004. Amazonian Dark Earths: Explorations in Space and Time. Springer-Verlag, Berlin.
Glaser, Bruno, Wolfgang Zech, and William I. Woods. 2004. History, Current Knowledge, and Future Perspectives of Geoecological Research Concerning the Origin of Amazonian Anthropogenic Dark Earths (Terra Preta). In Amazonian Dark Earths: Explorations in Space and Time, edited by Bruno Glaser and William I. Woods, pp. 9-17. Springer-Verlag, Berlin.
Lovell, W. George, Henry F. Dobyns, William M. Denevan, William I. Woods, and Charles C. Mann. 2004. 1491: In Search of Aboriginal America.
Journal of the Southwest 46(3):441-461.
Madari, Beata, Wim G. Sombroek, and William I. Woods. 2004. Research on the Anthropogenic Dark Earth Soils of Amazônia: Could It Be a Solution for Sustainable Agricultural Development in the Amazon? In Amazonian Dark Earths: Explorations in Space and Time, edited by Bruno Glaser and William I. Woods, pp. 169-181. Springer-Verlag, Berlin.
Woods, William I. 2004. Anthropogenic Soils and Sustainability in Amazônia. In WorldMinds: Geographical Perspectives on 100 Problems, edited by Donald G. Janelle, Barney Warf, and Kathy Hansen, pp. 287-293. Kluwer Academic Publishers, Dordrecht.
Woods, William I. 2004. Population Nucleation, Intensive Agriculture, and Environmental Degradation: The Cahokia Example. Agriculture and Human Values 21:151-157.Woods, William I., and Bruno Glaser. 2004.
Towards an Understanding of Amazonian Dark Earths. In Amazonian Dark Earths: Explorations in Space and Time, edited by Bruno Glaser and William I. Woods, pp. 1-8. Springer-Verlag, Berlin.Kämpf, Nestor, William I. Woods, Wim G. Sombroek, Dirse Kern, and Tony Cunha. 2003.
Classification of Amazonian Dark Earths and Other Ancient Anthropic Soils. In Amazonian Dark Earths: Origin, Properties and Management, edited by Johannes Lehmann, Dirse C. Kern, Bruno Glaser, and William I. Woods, pp. 77-102. Kluwer Academic Publishers, Dordrecht. Lehmann, Johannes, Dirse C. Kern, Bruno Glaser, and William I. Woods, editors. 2003.
Amazonian Dark Earths: Origin, Properties and Management. Kluwer Academic Publishers, Dordrecht.Woods, William I. 2003.
Development of Anthrosol Research. In Amazonian Dark Earths: Origin, Properties and Management, edited by Johannes Lehmann, Dirse C. Kern, Bruno Glaser, and William I. Woods, pp. 3-14. Kluwer Academic Publishers, Dordrecht.Woods, William I. 2003.
Soils and Sustainability in the Prehistoric New World. In Exploitation and Overexploitation in Societies Past and Present, edited by Brigitta Bensing and Bernd Herrmann, pp. 143-157. LIT VERLAG, Münster.Olson, Kenneth R., Robert L. Jones, Alexander N. Gennadiyev, Sergey Chernyanskii, William I. Woods, and J. M. Lang. 2002.
Accelerated Soil Erosion of a Mississippian Mound at Cahokia Site in Illinois. Soil Science Society of America Journal 66:1911-1921.Sombroek, Wim G., Dirse C. Kern, Tarcício Rodrigues, Manoel da Silva Cravo, Tony Jarbas, William I. Woods, and Bruno Glaser. 2002.
Terra Preta and Terra Mulata: Pre-Columbian Amazon Kitchen Middens and Agricultural Fields, Their Sustainability, and Their Replication. 17th World Congress of Soil Science. Bangkok, Thailand Woods, William I. 2002.
Review of Cultivated Landscapes of Native North America, by William E. Doolittle (Oxford University Press, Oxford, 2000). Historical Geography 30:185-187. |